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quarta-feira, 5 de março de 2014

Entrevista: Bruno Brown

quarta-feira, 5 de março de 2014 - 3 Comments



Fotos: Petrônio Vilela, Heverton ribeiro, Shin Shikuma e Arquivo Pessoal

O paulista João Bruno Leonardo Junior, o Bruno Bronw, 52 anos, um dos ícones do skate brasileiro, membro da igualmente icônica equipe Wave Boys, conta aqui um pouco de sua história no skateboard, como fez pra vencer a morte e projetos futuros.


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sexta-feira, 20 de abril de 2012

LENDAS CEARENSES PARTE II

sexta-feira, 20 de abril de 2012 - 1 Comment

imagens & edição paulo costa



quarta-feira, 18 de abril de 2012

ENTREVISTA: ROGÉRIO LEMOS

quarta-feira, 18 de abril de 2012 - 8 Comments

O estilo de andar de skate e o modo como fala do mesmo demonstram o quanto Rogério Lemos tem o skate na veia. Paulistano criado em Sorocaba e com um pé no Nordeste, esse grande skatista nos conta sua trajetória no skateboard que começou lá nos anos 1980.

por paulo "playboy" costa





acervo pessoal






A velha e desgastada pergunta, porém necessária: Como foi o início no Skateboard?
Foi em 1986 em São Paulo, cidade em que nasci. No prédio onde morava todo mundo estava largando a bike e comprando skate. Era uma febre absurda! O início era como uma brincadeira entre amigos mesmo, eu não tinha idéia do que era o skate até o dia que vi na banca de jornal uma revista Yeah que nas primeiras páginas tinha o Sérgio Negão mandando um F/S Air... Fiquei maluco ao perceber que o skate era muito além daquela simples brincadeira do prédio e fui atrás pra conhecer mais. Foi quando comecei a ir ao QG Skatepark e as vezes colava na loja Mustabi, onde tive contato com o Street. Mas poucos meses depois me mudei pra Sorocaba com meus pais e achei que ia perder o contato com a cena do skate, mas tive muita sorte, pois logo de cara conheci a velha guarda do skate sorocabano (Ronie, Nal, Dado, Rocha, Gastão...). Os caras eram locais do Mirante em Jundiaí, andaram na Wave Park, na Wave Cat, faziam algumas rampas de madeira em Sorocaba como quarter do Feirão, mini Half Pipe da Bibols, o Half Pipe do Jardim São Paulo... Foram eles que me ensinaram o verdadeiro skate mesmo, o espírito “for fun”, o respeito pelas raízes. E paralelo a isso eu fazia street com os caras da minha idade como o Sheo, Ota, Lisboa, Suzuki, Marcus Aviador, Edu, Franja, André, Adriano... A maioria local do Colégio Salesiano onde tínhamos umas rampas de concreto espalhadas numas quadras de futebol de salão. Eram bons tempos aqueles! Ainda tem uma série de outros nomes que foram locais de outros picos como a praça Carlos de Campos e Concha Acústica, como o Demian Balboa, Bruno, Febem, Bolão, Décio, Tico, Brown, Rafael Japa, Anderson.... Enfim, se for citar todos a lista fica gigante! O que sei é que muitos deles são grandes amigos até hoje, grandes irmãos mesmo.
Daquela época, quem ainda está na ativa?Infelizmente alguns pararam, mas sei que ainda tem o skate na veia. O Sheo está na ativa, tem uma mini rampa de madeira na casa dele no sul do país. O Aviador também está na pegada andando direto com seus skates customizados; o cara é insano! O André tem uma mini rampa bem legal na casa também e continua mandando seus bs airs, assim como o Adriano que tem até uma manobra que ele inventou, o Give The Foot Loro! Só vendo pra entender, rsrs. O Franja também continua forte no skate com suas liptricks de mini rampa e fazendo um trabalho bem legal junto a molecada da cidade, ensinando a andar de skate e tocando alguns projetos sociais. E tem também o Dado que depois de um tempo afastado retornou a andar e agora com seus 47 anos (eu acho ...) está mandando seus grinds e rocknrolls. É muito gratificante ver o Dado na sessão pois foi o primeiro cara que vi mandando um Lay Back por exemplo, que é uma manobra que gosto muito de mandar. Certamente ele serviu de inspiração pra mim, é um dos meus mestres no skate.
E no início, a sua família apoiava?No começo não. Eles não tinham noção do que era o skate e rolava um certo preconceito sim. Mas depois foram se acostumando e viram que eu estava muito ligado ao skate não só como praticante. Consegui unir minha profissão e minha formação em Propaganda com o mercado do skate, aí eles foram entendendo que além de tudo é também o meu trabalho envolvido nisso. Hoje eles me apóiam totalmente! Tenho muito a agradecer aos meus pais e familiares por isso.
Algum parceiro do skate especial naquela época?
Todos os que fizeram parte dessa minha trajetória são especiais em algum sentido. Mas tem um que eu gostaria de falar e é justamente o cara que mais andou de skate em Sorocaba hoje em dia não anda mais. O cara tinha um Ollie violento e muito alto, tinha uma base absurda em transição... Teve uma vez em um halfpipe em Itu que ele aprendeu em um único dia a mandar fs air, roll in drop e mayday... O cara é o Evandro Ota que tinha tudo pra ser um dos top pros do Brasil, mas infelizmente hoje em dia é raríssimo vê-lo andando de skate. Sei que ele tem skate na veia ainda, tentou voltar a andar varias vezes, mas sempre se machucava e parava de novo. É uma pena, pois além de um grande irmão é uma grande referência do skate sorocabano.
O primeiro skate?Um H.Prol sem Pro Model e rodas com bilhas! Sofrido viu, rsrs... Mas antes disso eu andei com um skate Costa Norte que uma prima minha me emprestou, pena que esse skate sumiu, pois seria uma boa peça para algum museu do skate.
E hoje, qual o set-up do seu skate? Que tipo de rodas,trucks e decks prefere?Drop Dead 8.6, roda OJ Park 56mm e Indy 149. Além das OJ Park também gosto de usar as Bones SPF. Deck eu tenho usado o Naked da Drop Dead que tem ótimos concaves e durabilidade. E truck é Indy desde sempre e ponto final.
Praticava alguma modalidade específica ou era overall?Andava em tudo, overall mesmo. Pela falta de pistas na cidade na época, fazia mais street. Mas sempre fazíamos umas trips para as pistas da região como o halfpipe de Itu, a pista de Salto, a mini rampa de Piracicaba. Nessas que aprendi algumas manobras que hoje em dia mando nos bowls. Hoje em dia no street agora só com meu cruzer, roda larga e macia, bem na boa, nada de pular gaps e escadas que eu costumava fazer antigamente.
Que skatistas lhe influenciavam?São influencias até hoje. Natas Kaupas, Mark Gonzales, Mike Vallely, Bill Danforth são as minhas referências do street da época. Depois também vieram Cardiel, Matt Hensley, Jason Lee... No vert sempre gostei mais de estilo e velocidade do que manobra, aí vinham nessa pegada o Hosoi, Caballero, Chris Miller, Jeff Phillips, Lance Mountain... Tinha os mais antigos que sempre admirei também como Salba, Duane Peters, Tony Alva... Aqui no Brasil era o Daniel Kim, Mureta, Porque? e todos os mais junkies que tinham na época.
Você tem um pé aqui no nordeste, especificamente no Rio Grande do Norte. Conta essa história...Meu pai é nascido em Mossoró e criado em Natal. Tenho primos e uma tia que ainda moram em Natal. O resto dos irmãos do meu pai estão todos em São Paulo.
Conhece o Nordeste, parte de suas raízes...Já fui algumas vezes para o nordeste e conheci algumas capitais, a última foi em 1993 quando fui para Natal, eu tinha 20 anos... Conheci Mossoró também e me surpreendi ao ver uma pista de skate na cidade. Conheci uns skatistas nas ruas de Natal mas sinceramente não me recordo os nomes e não tive mais contato, só lembro que fizemos street numa praça perto do estádio do América. Mas tenho vontade de voltar agora pra conhecer melhor a cena do skate nordestino e andar em algumas pistas.
Sabe algo do passado do skate do Nordeste? E hoje?Cheguei a ter um model do Marcelo Agra, se não me engano pela Flywalk. Grandes nomes do skate mundial como Lúcio Mosquito e Adelmo Jr são referências do Nordeste. Sei que tem uma cena forte e grandes skatistas, hoje tenho mais informação sobre o skate nordestino do que antigamente, principalmente por canais pela internet como o Veterankate.
Que lugares conheceu através do skate? Conheceu outros países?Guaratinguetá, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Brasília, várias outras... São cidades que mantenho constante contato seja nos eventos que rolam ou sempre que tenho um tempo de sobra pra poder ir. Conheci também a Califórnia, morei em Berkeley em 1999, andei em várias pistas como a Combi Pool em Orange County, Basic Pool em Huntington Beach, Skate Street em Ventura... Foi uma grande experiência, quero voltar pra lá e conhecer as novas pistas.
Que lugar te marcou mais?Porto Alegre é um lugar que sempre gosto muito de ir, pelas pistas, pela vibe da cidade, pelas pessoas, pelo clima skate rock que rola e pelos amigos que lá fiz. Mas a California é o berço do skate, não tem como um skatista não gostar de um lugar como aquele.
Como é seu trabalho? Você trabalha na Drop Dead e já produziu sites até para PPS (Pocket Pistols Skates) e també faz parte do Team...conta um pouco disso...Trabalho com criação publicitária e web design. Uma das minhas metas profissionais era conseguir atuar no mercado de skate. Um cara que me abriu as portas para isso e que tenho muito a agradecer foi o Éder Botelho da Action Now de Campinas. Comecei fazendo estampa de shape, logotipos da marca, cartaz de campeonatos, mas eu já trabalhava com web design e queria fazer algo voltado para o skate. E em um dos Old School Skate Jam de Guará conheci o Bruno Brown da Wave Boys e logo de cara acertamos um site. Logo depois veio a Inc3, a Balboa Boards do Demian que também fiz o site da loja dele. Em seguida vieram a Pocket Pistols, contato que fiz através do Bruno Brown, e depois a Vans onde trabalhei por 4 anos desenvolvendo o site e mídia online. Outros sites que produzi foram da Devotion, o site pessoal do Allan Mesquita e do Otavio Neto também. Quanto a Drop Dead tenho muito a agradecer ao Eduardo pela confiança no meu trabalho que venho realizando já há alguns anos. Trabalhar na Drop Family é como estar numa grande família, uma família que respira skate a cada segundo que passa, tenho muito orgulho disso. Criei também o blog da Gardhenal Skates do Ragueb, na qual faço parte da crew e logo mais teremos um site novo da marca. Sobre estar no Team, eu particularmente me sinto honrado por estar numa equipe que tem nomes como Rodolfo Ramos, Pedro Barros e Léo Kakinho por exemplo. Não consigo ver meu skate à altura desses nomes mas sei que tenho muito skate na veia e represento bem a Drop Dead na categoria Master. Represento também a Independent Trucks que é umas das marcas da Drop Family no Brasil
A marca que vc trabalha dá o excelente exemplo de valorizar as diferentes gerações do skate. Você acha que outras marcas estão caminhando pra isso aqui no Brasil?Sim, realmente a Drop é um grande exemplo de valorização tanto ao skate quanto ao skatista. Vejo um número crescente de marcas que apóiam de verdade e isso é muito bom para o skate em geral. Mas também vejo muita marca explorando o skate indevidamente, verdadeiros sanguessugas que só se aproveitam do mercado em alta. É uma pena, mas acredito que haja o que houver os verdadeiros continuam em pé sempre.
E agora como Pro, como é o dia-a-dia pra manter o Rip?Minha rotina não mudou em nada, continuo andando de skate umas 3 a 4 vezes por semana. O problema é que aqui em Sorocaba não temos bowls do mesmo nível dos que geralmente rolam os eventos. Nenhum bowl daqui tem mais que 2 metros de altura e não existe coping block, então imagina o sofrimento quando chego num RTMF Bowl por exemplo.
Conte sobre o RHCS. Como nasceu, os responsáveis e como está...A RHCS (Rheumatic Hard Core Session) surgiu numa tentativa de trazer de volta para o skate sorocabano alguns caras que estavam afastados. O nome quem idealizou foi o Ota, numa brincadeira por telefone ele disse que a sessão seria de reumatismo rsrs... Aí pegou o nome! O primeiro que rolou contou apenas com os locais de Sorocaba e rolou na Big House, um skate park indoor que tinha aqui na cidade, muito bom por sinal. Já no segundo e terceiro começou a vir uns caras de Campinas, Piracicaba, São Paulo, Rio de Janeiro... Aí quando o evento estava ficando maior tivemos a perda da Big House e só conseguimos fazer outro RHCS em Piracicaba no ano passado, onde contei com a parceria forte do Cristiano Pira que me ajudou muito a fazer o evento. Foi uma grande festa com direito ao melhor do skate, rocknroll e churrascada a vontade! Não é um campeonato, mas rola umas competições malucas tipo pior manobra, melhor tombo, pior cabelo... Além também dos best tricks. Quem foi gostou muito e pede mais. Esse ano tem mais, talvez duas edições. Estamos definindo datas ainda, mas vai rolar!
Você foi reconhecido pela CBSK como profissional. Qual sua opinião sobre a entidade? Você valoriza esse trabalho?Valorizo sim, acho muito importante que os skatistas tenham uma entidade maior que os represente. Acredito no trabalho e conheço as pessoas que trabalham lá dentro. Apesar de ouvir algumas críticas (o que é normal em qualquer situação), creio que o trabalho está cada vez melhor e os resultados vão surgindo com o tempo. O que não apoio são outras entidades que estão surgem querendo se colocar à frente da CBSk.
Quem entraria na sua lista dos 10 melhores?(No Brasil/No resto do mundo)Difícil essa hein, vão faltar muitos nomes, mas lá vai... Mureta, Daniel Kim, Pedro Barros, Nilton Neves, Rodolfo Ramos, Chris Miller, Lance Mountain, Peter Hewitt, David Gravette e Grant Taylor.
Como bom conhecedor d bowl, qual o melhor aqui no Brasil na sua opnião? E fora do país, algum que vc conheça e marcou?Fora daqui a Combi Pool e a Basic foram pistas que me marcaram muito. Aqui no Brasil sem dúvida alguma o melhor é o RTMF Bowl, e o mais casca grossa também! Mas gosto demais do New.Love Bowl da Swell, do quadribowl do Vert In Roça do Gui e dos clássicos bowls/banks do Itaguará Contry Club.

Depois do skate, que outras paixões tem?Sou apaixonado pela minha profissão e pela liberdade que ela me traz. Apesar de ser publicitário de formação, atuo também como web designer. Outra coisa que não consigo viver sem é a música. Toco violão desde os meus 12 anos de idade e sou vocal do OSSO, uma banda Hard Core de Sorocaba. O Gerson (bateria) e o Chocola (guitarra) me chamaram pra ser vocal, pois eles acham que eu sei cantar! (risos)... Agora entrou um outro baixista, o Felipe, e deu um novo gás na banda. Já tocamos em alguns eventos de skate, inclusive tivemos o Chuck Treece como padrinho da nossa primeira música (Traidor), onde ele tocou com a gente num evento na Pig Pool do André Benine em Lorena. Foi uma grande honra!

Planos futuros com skate?
Enquanto eu estiver mandando um simples grind e com meu corpo e mente sadios, meus planos para o futuro estarão garantidos! Quero continuar trabalhando com design e propaganda, penso em fazer mais projetos nessa área relacionados com skate. Quero também continuar andando e me divertindo com o skate até quando eu aguentar. Fora isso, tenho muita vontade em realizar um trabalho social com o skate, seguindo o exemplo de alguns que já fazem um belo trabalho como o Sandro Testinha e vários outros que estão nessa batalha. Deve ser muito gratificante ajudar o próximo através de uma prática tão divertida e cheia de cultura como o skate.
Agora conta ai, por que Bullet?
No final dos anos 80 não era nada fácil ter material importado aqui no Brasil. Um dia consegui comprar as cobiçadas rodas Bullet, por sinal comprei usada de um conhecido. E aqui em Sorocaba existiam dois Rogérios que andavam de skate e quando se referiam a mim diziam que era o das Bullet, e aí ficou Rogerio Bullet... Hoje em dia raramente encontro alguém me chamando desse apelido, acho até engraçado quando isso rola porque é um apelido que só a galera da antiga de Sorocaba que conhece.

Ok Rogério, foi uma grande satisfação te entrevistar e conhecer melhor sua história como skatista, agora manda as considerações finais...
Agradeço a todos que estão lado a lado comigo nessa caminhada, vocês que dividiram e continuam dividindo com sinceridade cada conquista ou derrota que tive nesses 26 anos de skate. Muito obrigado mesmo pelo apoio, pela amizade, respeito, consideração e por todas as sessions feitas e todas as que virão! Deixo também um agradecimento especial aos meus patrocinadores e apoios (Drop Dead, Independent Trucks, Gardhenal Skates, Vans) pelo suporte e de certa forma acreditarem no meu trabalho seja no design ou em cima do skate. Vida simples sempre prevalece.

domingo, 8 de abril de 2012

LENDAS CEARENSES EM NATAL

domingo, 8 de abril de 2012 - 3 Comments

Fotos Eder Bicudo
Video Paulo Costa





Paulo Playboy, A.Gato, P.Negão, Oscar Bolo e Bicudo

Gato na Lacerda

Raphael Majei

Maykel Regis

Bolo

Eduardo "Payakan" Sá

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ENTREVISTA: CECÍLIA MÃE

quarta-feira, 10 de agosto de 2011 - 6 Comments

Ela é figura onipresente no meio do skate brasileiro desde os anos 1970. Trabalhou nas principais revistas dos anos 1980, afastou-se um pouco para criar sua filha, mas o amor pelo skateboard e pelos skatistas a trouxe de volta com seus textos bem peculiares, com bastante humor.

Leiam Cecília Mãe.

foto serpil hergun

Como foi seu inico no meio do skate? Vc freqüentava os picos históricos como Wave park e wave cat?

Me apaixonei pelo skate quando conheci os Ibira Boys, em 78. Eles não eram os ídolos da época, mas foram dos poucos que continuaram andando de skate, apesar da falta de material, tênis adequado, revistas... Nem tinha onde comprar! Eles eram um grupo de meninos muito, muito inteligentes. Me apaixonei pelo grupo, como um todo.

Quem eram os caras que andavam no Ibira nessa época?

Os primeiros que conheci foram Bê, Bolota, Eddie Gralha, Edu Brito, Folha, Hatsuo Pop,Hélio Greco, Jorge Kuge, Pastel, Q Suco... Mas, na sequência, foram aparecendo outros, como Chorão, Daniel Kim, Pois é, Thronn...


Qual a origem do seu apelido?

Acho que qualquer mulher naquela situação, de ser uma das poucas no meio de um bando de homens, acabaria tendo este apelido. Eu via os meninos jogarem os tênis imundos na mala, junto com cueca, ia lá, arrumava dentro de um saco plástico. Lembrava de levar água, mandava escovarem os dentes, puxava a orelha se zoavam alguma menina [que não merecia], cuidava quando se machucavam, essas coisas. O apelido veio do Folha e do seu irmão, Folhinha, num Campeonato Brasileiro, em Guará. O Thronn e o Tommy estavam no teto do carro do Luciano [RJ] e, numa curva, os dois caíram. O Thronn, que tem um santo forte, caiu em cima do Tommy e o coitado ficou metade em carne viva. Bem na noite da festa de encerramento. Claro, fiquei cuidando do moleque e eles começaram a me chamar de Mãe.

Você trabalhou na Overall e Yeah. Como foi sua entrada nas revistas?

Na verdade, eu comecei por acaso, na Yeah!. Fiquei da número 1 até a 7 [de 85 a 87]. Nesta época, não tinha quase ninguém no cenário do skate e eu era das poucas que tinha duas grandes vantagens: acreditar na ideia, mesmo depois de mil tentativas frustradas e saber um português razoável kkkkk. Trabalhava com os amigos que eu encontrava no Ibira todo fim de semana.

No fim de 87, saí de São Paulo e acabei fazendo um freela pra Overall. Quando voltei pra casa, lá por 89, passei a integrar a equipe em caráter fixo e fiquei até a revista fechar, em 90.

O que parece é que a Yeah tinha um carater mais anárquico e a Overall era mais, digamos, organizada...aquela coisa tipo Thrasher e Transworld...Era isso mesmo?

A Yeah! era uma bagunça maravilhosa e eu estava numa fase muito thrash da vida. Faz as contas: 7 edições em dois anos? kkkkk Pior que trimestral! A Overall fazia parte de uma estrutura mais profissional, que era a editora Trip. A gente era livre, mas tinha que ter responsabilidade. Podíamos, sim, criar, meter o pau, questionar, zoar o barraco, contanto que cumpríssemos o prazo. Acho que a imagem "Thrasher" da Yeah! veio do papel jornal, da cara de zine, do uso de graphics do Rick e do Tai Tai. Era uma coisa mais visual.

Fale sobre aquela bela capa da Overall que vc protagonizou...

Vixe! Bom, quem me conhece, sabe que detesto tirar foto. Sempre corri de câmera, mas trabalhava com fotógrafos que viviam me aterrorizando, justamente porque eu odiava. Amigo é pra essas coisas. Enfim, uma noite, bati o carro do meu pai e deformei metade do rosto. Fiquei parecendo o Fantasma da Ópera. Fiz um propósito interno de aceitar posar para o primeiro que quisesse me fotografar, mas ninguém perdia tempo. Tinham certeza de que eu não iria aceitar. Até que o Pisco pediu e disse que ninguém ia ver, que era só para o portfolio pessoal dele. Ele fez as fotos e o milagre de me deixar muito bonita, mesmo com aquela vibe Jeckyll & Hyde. Lindo, mas imagina o que eu senti, quando vi a revista! Nossa, achei o fim do mundo. Arrancava todas as capas que apreciam na minha mão. Hoje, só tenho uma.


Capa Overall 19.fonte skatecultura

Você já era escritora quando foi trabalhar nas revistas de skate?

Eu não sabia que era escritora. Pra mim, a gente aprendia a escrever e simplesmente saía por aí registrando o que pensamos sobre o que mandassem ou pedissem. E era o que eu fazia. Descobri que era escritora aos poucos. Durante anos, achei pretensão e rejeitei a idéia. Mas, lá pelo fim da década de 90, quando entendi que não era tão fácil para outras pessoas, ficou difícil pra mim, também. É uma bênção e um fardo.

Você trabalha com que tipo de literatura?

Apesar da maioria dos meus textos ser sobre skate, adoro escrever sobre quase tudo. Gosto de contar histórias do meu jeito. Quando quero inventar realidades e pessoas, faço textos para teatro e curtas. Até novela eu já fiz! Meu problema é que eu não consigo escrever tragédia. Tudo sai cômico! É um limite, como criadora.

Vc tenho algum trabalho publicado?

Só encenei dois textos dramáticos. A primeira peça chamava Domingo e era linda. A segunda, Elas Nunca Foram Dentistas, uma porcaria pretensiosa. Horrível. Peguei trauma. Teatro é para os guerreiros e eu sou muito, muito covarde. Perdi a conta da quantidade de curtas que escrevi. Algumas foram encenadas em casas noturnas, outras quase viraram filme. Quase. kkkk. Mas escrevo pra mim e pros amigos lerem, de vez em quando. Tenho uma gravação muito boa, em que o Pois é e o Speto fazem várias vozes. Eles são muito engraçados.

foto serpil hergun

É muito fácil de identificar um texto seu por causa do seu estilo de escrever. Você sente facilidade? As palavras saem rápido?

Ah, não saem não! As palavras são uns erês! Espíritos moleques, brincalhões, que vivem soltos por aí. Quando elas estão de bom humor, a gente deita e rola mas, quando fogem... Não tem jeito. Às vezes, fico um tempão com cara de idiota, tentando encontrar aquela palavra exata, sem sucesso. Horas, às vezes dias depois, quando estou lavando louça, a biatch aparece e, com ela, toda uma linha de raciocínio...

Daí, vale a pena. Quando elas viram um bordado no papel... Vale tudo: a insônia, a angústia, a tensão, os vários maços de cigarro... Ou seja, dane-se o pulmão, o fígado e a vesícula! Elas não me deixaram.... Eu amo as palavras...

Um escritor chamado Gene Fowler disse tudo: "Escrever é fácil. É só se sentar, encarando o papel em branco, até as gotas de sangue brotarem nasua testa". E não se iluda. Nunca li nada do cara. só gosto da frase, mesmo.

Vc tem alguma inspiração, algum(a) escritor(a) que vc se espelhe?

Não. Gosto de ler muitos autores, mas não me espelho em nenhum.

Quem são seus skatistas preferidos?

Sem chance de responder esta! Vou mencionar oitocentos e esquecer uns mil?

Você passou um tempo afastada do skate ou é uma impressão errada?

Só me afastei de verdade quando tive minha filha. Fiquei uns cinco, seis anos justificando meu apelido... Depois, fiquei fora da mídia, na verdade. Ia aos campeonatos, mas não escrevia sobre eles.

Por falar em sua filha, ela gosta de skate?

Adora.

Sobre campeonatos, você acha importante? E a parte organizacional com associações, federações e a confederação ou prefere o modelo americano onde isso não é muito valorizado mas sim videos, demos...Mais o estilo de vida skate mesmo...

Vamos por quatro partes:

• Pra mim, campeonato é uma ótima desculpa pra ver os amigos. Para o skate, tem sua importância, já que muitos começam a andar depois de assistirem um campeonato. Só não gosto da rigidez que os eventos impõem. Acho o fim do mundo se o cara chega atrasado e não pode correr, mesmo que dê tempo de encaixar nas últimas baterias. Se a conduta dele interfere na pontuação, é pior ainda. Ele não tem que ser legal, educado ou fácil de lidar. Ele tá ali pra andar de skate e é isto que deve estar sendo julgado, não suas atitudes. Afinal, é um campeonato de skate ou um show de adestramento?

• Algumas entidades que gerem o skate deixam muito a desejar e não é pra menos. Num plano ideal, elas deveriam lutar pelos interesses do skate, estudar as leis de incentivo, conseguir apoio do poder público, enfim, ser um grupo de skatistas, com aval dos outros para responder por todos. Só que, se o skate exige tanta dedicação, os membros deveriam ser bem remunerados, talvez pelas marcas, para se dedicarem à causa integralmente. Ou viver de uma porcentagem do que for arrecadado com as leis de incentivo ao esporte. Exigir que os caras larguem suas próprias vidas e até parem de andar de skate, só por ideal e de graça, é injusto.

• Quanto às alternativas para campeonatos, adoro vídeos e demos. Muitos talentos se lançam com vídeos, conseguem chamar a atencão da mídia e até patrocínio. É bom, porque não fica confinado a uma panela de privilegiados. Demo é legal para os fãs que não moram em grandes centros conhecerem os skatistas de perto e passar a admirá-los ainda mais.

• O estilo de vida skate não exclui competições. Aliás, não exclui nada. Isto é que é bom: no skate, pode tudo.

Como foi pra você aquela fase de falência do skate brasileiro nos anos 1990?

Para mim, pessoalmente, foi menos doloroso, porque coincidiu com o nascimento da minha nega. A Overall fechou em setembro e eu engravidei no mês seguinte. Mas sempre acompanhava o que acontecia e lembro que foi horrível. As revistas, marcas e lojas fechando; muitos amigos desempregados, um horror. Na verdade, foi o mercado que decaiu e o skate reapareceu cada vez mais forte, como está, até hoje.

Tendo acompanhado tanto tempo o skate, como vc descreveria essas fases do skate brazuca?

A gente só fazia o que gostava. A diferença é que o resto da humanidade desprezava o skate, nesta época. Ninguém tinha dinheiro, então éramos mais unidos. Dormiam 15 vagabundos num quartinho de hotel fuleiro, a gente rachava PF, viajava no mesmo ônibus, enfiava uma dúzia no carro pra ir pra sessão ou balada... Hoje, a gente ainda é uma família, mas cada um viaja num vôo, fica num hotel diferente e pega seu próprio táxi pra chegar num campeonato. Quando se encontra é igual, mas passamos menos tempo juntos, o que é uma pena...

Você fez parte do cast da revista Tribo por quantos anos?

Sempre fiz freela pra revista e, em 2005 fui trabalhar lá. Fiquei até o ano passado mas, apesar de não bater mais cartão, continuo escrevendo pra ela. Ah, era muito legal. Imagina, eu ficava na redação com pessoas que eu amo e sempre aparecia mais umas duas dúzias de amores meus toda semana. A gente ria o tempo todo. Sempre que posso, encontro a família. Quando saí, não podia ver ninguém de lá, que eu começava a chorar...

E agora no Skate Paradise? Qual sua função no programa?

Comecei no fim do ano passado. Desenvolvo algumas pautas, faço reportagens e escrevo no blog do programa, no site da ESPN. Sou muito sortuda, porque também adoro todo mundo que trabalha na Fuego e a gente sempre está dando risada. Jesus me ama...

Você já veio no Nordeste? O que conhece do skate daqui?

Ah, a cobertura do Brasil... Quem dera! Nesse país, tem que ser gringo pra ir pro céu! Só conheço a Bahia e já morro de amores por ela. Quanto ao skate, sei que é a região com as melhores pistas do continente e que sempre revelou grandes talentos. Nos anos 80, só conhecia você, o Gato e o Ilzeli e um pouco da cena de Recife, inclusive o Og, por causa do Thronn e dos irmãos Matsui. Depois, aprendi bem mais, convivendo com a Aracaju Family, trabalhando com o Detefon e o Fellipe Francisco e conversando com o Vitor Sagaz.Mas, de novo, se citar alguns, vou deixar dezenas de fora.


foto petrônio vilela

Que tipo de música vc gosta de escutar?

São tantas... Depende. Adoro música chinesa, japonesa e de Java, apesar de só ter um disco. Gosto de música mineira, Cocteau, New Order, Beastie Boys, canto gregoriano, Virgínia Rodrigues, alguns pontos de Candomblé...

Agora me fale, já tentou andar de skate?

Já. Ganhei um de aniversário e, no primeiro tombão de bunda, desencanei! Sou muito, muito covarde.

Existe uma modalidade do skate que vc goste mais?

Não.

Você indentifica mudança no skatista de hoje? Quais?

Não. O skatista continua sendo inteligente, ligeiro, criativo, cavalheiro e sempre se recusou a engolir desaforo.É uma elegância da rua, mesmo, sabe? Um código de ética rígido e bastante seletivo. Comédia, no skate, tem vida curta. Se sobrevive, é por piedade.

A resposta me parece óbvia, mas, skatista é atleta?

Não! Eu mesma já cometi esse erro, mas atleta pratica atletismo: corrida, lançamentos e saltos, como me ensinou mestre Cesinha Chaves, em um de seus famosos discursos...

Valeu Ceci, obrigado pela entrevista. Gostaria de fazer alguma consideração final?

Muito obrigada por achar que eu sou assunto, ainda mais neste blog, que só tem clássicos! E beijão, aqui do térreo, pra galera da cobertura!


Nós que agradecemos.

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